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sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

AS ESCRITURAS NÃO PRECISAM DA FÉ, É A FÉ QUE PRECISA DAS ESCRITURAS

     Margarida Azevedo 
Sintra/Portugal

            Textos históricos quais monumentos literários, as Escrituras dispensam os qualificativos da fé, fragmentada e perdida no ideológico religioso, configurando-se como narrativas sobre o percurso dos homens e das mulheres numa existência cuja natureza não definimos.

            Contrariamente ao que muitos pensam, as Escrituras não são textos que transmitam a Palavra de Deus. São textos cuidadosamente elaborados, transmissores de vivências, propondo caminhos mediante a reflexão inevitável sobre a problemática da existência de Deus, do Homem e da Vida. Ao lê-los, estamos lá, não num passado reencarnacionista, em que supostamente teríamos sido protagonistas dos factos neles descritos, isso seria muito pouco, mas na nossa natureza. Por outras palavras, não é Deus, mas o humano o principal protagonista, na sua vivência histórica, reflectindo sobre si mesmo.

            Deus jamais se manifestaria a um indivíduo, porque não existe ninguém com essa mercê. Porém, ser profeta ou redactor do trágico vivencial que é o nosso, de forma a expor-nos perante nós mesmos é, parece-nos, mais misterioso que descobrir Deus na História.  Mediante as Escrituras, descobrimos que o mistério não é Deus, mas o próprio Homem. Não pelo carácter de excepcionalidade que muitos lhe atribuem, o tal ser superior da Criação, mas na vulgaridade quotidiana, lembrando-lhe o quanto é limitado.  Nas Escrituras, os profetas são homens e mulheres comuns, prova de que não são seres superiores, e que Deus os escolheu num como e num porquê que não nos diz respeito.

            Temos que aceitar, a nada nos conduziria o contrário, que somos protagonistas de contrários que se enfrentam tais como fé e não fé, amor e ódio, verdade e mentira, guerra e paz, ciúme, intriga e falsidade, verdade…também somos ainda aqueles, os tais que procuram uma explicação para a origem de todas as coisas, criando mitos, parábolas e alegorias, deuses e demónios, superstição, holocaustos, dádivas, preceitos, orações, cânticos. Tudo isso encontramos nas Escrituras com o propósito de nos fazer despertar para a grande e eterna questão “Quem sou eu?”

            Não há homens nem mulheres imunes a esta questão, também não há espectadores. Contracenamos, todos. Por mais desunidos que nos sintamos, representamos o nosso papel.  Aquilo a que chamamos diferenças culturais e de fé são leituras que polarizam e coloram a nossa vida, porém só fazem sentido se se perceber que é na pluralidade e na tolerância incondicionais que se constrói o fresco que colora os céus. Por isso, não é o que a Escritura diz que é complexo, mas como percebê-la na intemporalidade, isto é, em todos os momentos da História do Homem.

            Conferindo ao leitor uma liberdade total na sua apreciação, as Escrituras são a voz de uma pedagogia social, numa constante releitura, com o fito de mais e  melhor se integrarem nas grandes questões existenciais dos homens e das mulheres.

            Efectivamente, para ler as Escrituras não precisamos da fé. Os ateus são, talvez, os seus mais assíduos leitores, os mais críticos, os mais problematizantes. Despidos das ideologias religiosas, cépticos quanto às mesmas e criticando-as incisivamente, têm uma extraordinária capacidade de distanciamento dos textos, o que muito os favorece enquanto leitores; e aos textos também, uma vez que os encaram como realmente são: livros de História: a Pré-História e a História de um povo, Israel, no caso da Bíblia Hebraica; o percurso doutrinário de um profeta judeu com uma mensagem estranha, um Evangelho, no caso da Bíblia Cristã.

            Todavia, há, também, o lado positivo do crente. Se, lamentavelmente, é verdade que se pode tirar do texto o que se quer, o que é mau para quem lê e para o texto, e estamos em presença de um mau leitor, pode-se, igualmente, transpô-lo para a vivência do momento, particular e individual, procurando nele a resposta avisada e fiável para um problema. Assim, os textos não são intemporais mercê do punho perspicaz de um redactor mágico e aventureiro, mas em virtude de uma resposta concreta, atemporal de um sábio que, perspicazmente, nos ensina que somos os mesmos, muito embora noutros tempos, com outras experiências. É que as Escrituras têm que ser utilitárias, transversais a todas as épocas, caso contrário tornar-se-iam meros textos opacos.

            Quanto à fé, esta não deve estar dirigida para o texto, mas para Deus. Isto é, o texto é caminho para Deus mediante a vivência presente do Homem. É à História que devemos perguntar por Deus; é aqui e agora que devemos perceber a Sua revelação. Não há mais Deus no passado do que hoje; há Deus todo, em todas as épocas.

            As Escrituras protagonizam de forma objectiva os nossos mais recônditos pensamentos, tal como os comportamentos, quer sociais quer individuais, em qualquer espaço e em qualquer tempo.

            Quando alguns criticam a Bíblia Hebraica e a Bíblia Cristã, alegando que Deus nunca poderia ser um Ser perfeito e de suma bondade, porque permitte comportamentos por vezes tão ignóbeis, isso significa não perceber que as Escrituras são também a descrição de um processo de crescimento mediante qualquer coisa a que chamamos livre-arbítrio, que não somos autómatos, conferindo-nos a responsabilidade dos nossos feitos. Este Deus da Aliança é um Ser que prima pela liberdade. Essa Aliança é um contrato exitencial, mostrando-nos que a vida se nos apresenta com inúmeras provas, a primeira e a maior de todas é a da fé de que Abrâao foi o exemplo maior.

            Quem sabe, se mais cedo do que pensamos, a fé encontrará nas Escrituras a liberdade essencial que mudará definitivamente o rumo da História, rumo à paz universal.

 

  

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

EMMANUEL: ESPÍRITO DE LUZ

Fernando Rosemberg

“Conhecido por ser o guia espiritual do médium Francisco Cândido Xavier, o Espírito Emmanuel teve atuação de destaque no campo do estudo, prática e divulgação do Evangelho de Jesus a partir da Doutrina Espírita. O mentor fez parte da equipe que auxiliou Allan Kardec na Codificação e assinou a mensagem ‘O Egoísmo’, disponível no Capítulo 11 de ‘O Evangelho Segundo o Espiritismo’ (AK - 1864)”. (feb).

Assim, pois, Emmanuel, é, de fato, um dos mais confiáveis e mais adiantados Espíritos do Século 20, pois que estivera, no Século 19, com os Espíritos Superiores que atuaram na obra da Codificação Espírita com Allan Kardec.

Mas, vejamos, por aí, como a ótica espírita, ou, a visão do espiritista é mais complexa que a ótica de um religioso comum, e, por sua vez, dogmático, ou seja: que não adota, em sua restrita filosofia religiosa, as muitas vidas por meio da reencarnação. Vejamos, só por aí, a complexa visão das coisas adotada pelo Espiritismo, e, pois, pelo espiritista:

1-O Espírito Emmanuel, de várias reencarnações de seu pretérito (Senador Públius Lentulus, o escravo Nestório, padre Manuel da Nóbrega e padre Damiano, e etc.), no Século 19, trabalhara com a Codificação do Espiritismo;

2-Já, no Século 20, atuara, brilhantemente, como mentor da extraordinária obra de Chico Xavier;

3-E, neste Século 21 que se inicia, sabe-se que o mesmo Espírito, ou seja, de Emmanuel, já está reencarnado no Mundo terreno (deve contar, hoje, com algo em torno de 16 anos) para atuar, em princípio, no campo educacional, mas é óbvio que um Espírito tão elevado, de tamanha sabedoria, e, pois, tamanha envergadura cristã - ética e comportamental - haverá de ter uma missão bem mais abrangente que, por ora, não temos como mensurar.

Mas, segundo informações do próprio Chico, quando ainda vivo dentre nós:

“Nós ainda iríamos conhecer ou reconhecer o Espírito de Emmanuel, reencarnado”.

Espero, fraternalmente, que sim!

Um grande abraço a todos:
Fernando Rosemberg Patrocinio

Blog: filosofia do infinito

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

O VOO 313 E OS SOBREVIVENTES

Luiz Carlos Formiga
Conhecereis a verdade e ela vos fará livres, da ignorância. (1)

Políticos morreram. Desastre. Voo 313. O número treze já foi utilizado para comentar outra tristeza em agosto. (2) 

A aeronave estava lotada, na madrugada de 30 de novembro de 2016. Dia em que a Lava Jato foi arrasada. O Globo faz resumo. (3)

Cento e trinta e dois deputados escaparam, por terem votado contra o desejo da Câmara de enquadrar julgadores e investigadores. Foi um golpe na calada da noite e a procuradora Thaméa Danelon resumiu o sentimento de quem se empenhou no combate à ORCRIM: "As 10 Medidas foram jogadas no lixo. Um desrespeito a mais de 2 milhões de brasileiros".(4)

Esse novembro de 2016 parece ser um mês de desgosto, como o mês de agosto, (2). porque o Supremo disse que até o terceiro mês o aborto não é crime.(5)

Um número tão grande de mortes me lembrou o artista, que morreu de AIDS. “Meus heróis morreram de overdose. Meus inimigos estão no poder.”(6)

Meu caso é diferente, meu herói morreu crucificado (7) e antes foi torturado. (Bergeron, J.W. 2012. The crucifixion of Jesus. J. Forensic Leg Med., Apr. 19:113-116).

Enquanto o Senado vai procurar sobreviventes, vamos divulgando “ações no bem”. Um bom assunto é a imortalidade da alma e a reencarnação. Já disse antes que um professor de Psiquiatria e Neurologia é referência internacional nesse assunto.

Na década de 1960, Stevenson pesquisou na Índia casos de crianças que se referiam, com precisão, a fatos, pessoas e locais vividos em uma vida anterior. Se a alma é imortal e podemos reencarnar num novo corpo e prosseguir evoluindo, entendemos agora porque Kardec se referiu ao suicídio como um ato “estúpido”. (8)

Esse docente-pesquisador fez juízo de valor ao falar sobre um livro publicado por Hermínio, em parceria com Luciano dos Anjos.

Stevenson disse que “a obra Eu Sou Camille Desmoulins era extraordinária, incomparável e única no campo da comprovação da reencarnação”.

A boa notícia é que o livro, ricamente ilustrado, na 4ª edição em 2012 foi ampliado em pesquisas. Essas informações me foram oferecidas por Luciano Filho, com quem mantenho amizade.

Fazendo profilaxia, devo dizer que “Sobre Roustaing não posso opinar. Não encontrei tempo para ler e estudar suas obras. No entanto, isto não impede as "contaminações" pelas amizades que tenho com pessoas dele admiradoras, aqui no Rio de Janeiro“.(9)

Quando vimos o número de votos à favor da corrupção, nos lembramos de um texto da Equipe de Redação do Momento Espírita, com base na questão 932 de O Livro dos Espíritos e no Evangelho de Lucas, cap. 9,50.

“Vivemos na Terra tempos muito difíceis. Será que a humanidade é formada, em sua maioria, por pessoas más? Onde estão as pessoas de bem?

Em O Livro dos Espíritos, Allan Kardec propôs a seguinte questão aos Sábios do espaço:
Por que, no mundo, tão amiúde, a influência dos maus sobrepuja a dos bons?
E os benfeitores responderam: “por fraqueza destes. Os maus são intrigantes e audaciosos, os bons são tímidos”.(10)

Crooks não se intimidou diante dos intrigantes e audaciosos. (11)

Mas, os homens de bem devem orar no dia 4 de dezembro? (12)

Referências

terça-feira, 29 de novembro de 2016

A ELEVADA MISSÃO DA CIÊNCIA ESPÍRITA


Luiz Carlos Formiga

Conhecereis a verdade e ela vos fará livres, das lepras, do suicídio, das obsessões espirituais e da ignorância mediúnica.
A inteligência será rica de méritos, porque sob a condição de ser bem empregada.
Haverá responsabilidade na maturidade e conforto-prazer na realização da tarefa confiada. Não esperando receber nada em troca nos sentiremos úteis, o que nos bastará.
Moisés proibiu o intercâmbio entre “vivos e mortos”? O leitor poderá tirar conclusões examinando a Bíblia, em Deuteronômio capítulo 18 e Números 11.
Os espíritos são as almas dos homens que já deixaram a Terra. São “corações e mentes”  que não estão à nossa disposição na hora que melhor nos convier. No entanto, pesquisadores que fizeram intercâmbio e se submeteram à observação criteriosa, disciplinada e, principalmente, sem intenções subalternas ficaram diante do fenômeno. Foram inúmeros fatos, que se repetiram para a colheita de dados estatísticos ao máximo.
Em 1869, o cientista William Crookes assistiu a uma sessão mediúnica com  “raps”, levitação de corpos pesados e escrita direta. Na mesma época esteve presente a sessões onde houve a psicofonia. Em 1907 recebeu o Prêmio Nobel de Química.
Voltemos a 1870 para registrar que o cientista havia publicado “O Espiritualismo visto à luz da Moderna Ciência”. Nesse artigo lembramos o “conhecereis a verdade e ela vos libertará”, porque o Nobel de Química afirma que “o crescente emprego dos métodos científicos produzirá uma geração de observadores, que lançará o resíduo imprestável do Espiritualismo ao limbo desconhecido da magia e da necromancia”.
Na época, seus pares achavam que ele desvendaria uma farsa. Isso não aconteceu. O cientista examinou médiuns como Daniel D. Home, cujos efeitos físicos eram produzidos à luz clara, permitindo total controle. Diversos fenômenos foram catalogados como levitação; suspensão de corpos pesados; efeitos luminosos, materializações à luz do dia, transportes e outros.
Crookes considerou ser seu dever enviar os resultados à Royal Society, lançando o peso da sua reputação científica em apoio à verdade. Causou impacto. Além de Crookes, testemunharam outras pessoas de “notório saber e reputação ilibada”. Isso não o livrou de perseguições e injúrias.
Ele examinou também uma médium de nome Florence Eliza Cook.
Sua mediunidade havia surgido na infância.
Na adolescência, aconteceu com a médium em vigília a primeira materialização parcial do espírito Katie King. Posteriormente, com Florence em transe profundo, o espírito adquiriu autonomia e pode sair da cabine escura e deixar-se observar à luz do dia.
Pensando em fraude, um experimentador despreparado tentou imobilizar o espírito materializado, que se lhe escapuliu das mãos. Imediatamente verificaram que a médium estava na cabine. Encontraram-na ainda atada às amarras, com o lacre que a prendia à cadeira.  Florence adoeceu, mas depois se ofereceu para quebrar no laboratório científico outras incredulidades.
Crookes durante três anos trabalhou com o espírito Katie, em materialização total. O espírito submeteu-se a medidas de pulsação, pesagem e fotografias. Katie, numa materialização tangível, se permitiu abraçar pelo pesquisador. Diante dos fatos, Crookes declarou: “Não digo que isso é possível; digo que é real!”
Realmente, a experimentação é o método ideal de aquisição de conhecimentos positivos. Nada como uma observação provocada, em condições controladas. Afinal, o fenômeno deve repetir-se tantas vezes quantas forem necessárias para a verificação do fato. A regra geral não é observada nas ciências sociais, nem podemos reproduzir à vontade os fenômenos astronômicos e meteorológicos.
O fornecimento de uma prova científica esbarra num número apreciável de hipóteses. Assim, é necessário depurar variáveis para chegar-se à hipótese mais provável, capaz de melhor explicar o fenômeno. Nasce a relatividade, porque a ciência é feita com o uso autoconsciente de nossas faculdades mentais e o homem não possui uma medida absoluta da verdade.
Podemos dizer que a ciência é um conjunto de declarações ou afirmações que são assumidas como verdades sobre a realidade.
O observador comanda as pesquisas físico-químicas até onde as energias podem ser controladas. Nessas pesquisas o objeto é passivo e nos apoiamos na experimentação ou na analogia.
No campo das ciências sócio-morais o cientista recolhe dados e usa a Estatística. Nesta, o observador deve ser passivo. Aguardará que o fato ocorra, para observar e analisar a reincidência dos fenômenos, no tempo e no espaço. Na Psicologia, na História, no Direito, na Sociologia, o objeto é o animal racional, o socius, a pessoa, a criatura divina, o espírito, no uso do livre-arbítrio.
Na Ciência que estuda a mediunidade encontramos dois socius: o encarnado e o desencarnado, agindo e reagindo, racionalmente. O médium e o espírito se interpenetram para o efeito da ação conjunta. O Espírita quando examina o fenômeno mediúnico e depois realiza as deduções e projeções do que foi observado estará “filosofando” e, ao manter a harmonia interior e a postura ética estará exercendo a “consequência moral” espírita.
Na Microbiologia Médica, por exemplo, temos os Postulados de Koch. Observação ao microscópio, isolamento microbiano em cultura pura, reprodução da doença em modelo animal e a recuperação da mesma bactéria a partir do animal doente. Esses postulados permitiram que o pesquisador confiasse nos resultados. A etiologia bacteriana da tuberculose era altamente provável e sua negação era improvável. Estava demonstrada a origem microbiana da Tuberculose.
A pesquisa experimental, em Espiritismo, exige uma série de procedimentos, tanto prévios quanto concomitantes e posteriores, como em qualquer área das ciências estabelecidas. Antes de pesquisar, o experimentador já escolheu o objeto a ser pesquisado. Um exemplo é a comprovação da existência da faculdade mediúnica de materialização na médium Florence.
Ao realizar suas observações, Allan Kardec estabeleceu como seu objeto o mundo espiritual,  enquanto “lócus” de vivência do Espírito desencarnado, e sua interação dialética com o mundo material. Objeto extremamente ambicioso pela amplitude. O resultado foi “O Livro dos Espíritos”, uma filosofia espiritualista decorrente de um procedimento científico de observação controlada de fatos e análise do material dele derivado.
Como ponto fundamental, o pesquisador espírita deve ter claro que ele será um dos elementos essenciais da pesquisa e que não haverá condições para uma “neutralidade axiológica” absoluta, como nas “ciências exatas”. Pesquisador e objeto estarão indissoluvelmente comprometidos a nível energético. A começar pelo relacionamento psicológico e magnético com o médium, o qual poderá facilitar ou prejudicar o bom andamento das experiências.
Como os fenômenos estão ligados ao psiquismo do médium, e se produzem por seu intermédio, se ele sofrer um desequilíbrio emocional, sentir-se ferido em sua dignidade, o bom êxito da investigação estará fatalmente comprometido. Ao estabelecer os meios e as formas de controle, o pesquisador deverá fazê-lo de modo a evitar a fraude e o charlatanismo, mas levando em conta que o médium é um ser humano que deve merecer o devido respeito.
Na pesquisa mediúnica sempre se parte do fato para se chegar à teoria. Isto evitará ideias e teorias “pré-concebidas”. O experimentador que mantenha uma ideia fixa quanto à corroboração de uma teoria, a priori, irá interferir no processo.
Na Física existe a suspeita de que muitos resultados não são os que deveriam ocorrer naturalmente, mas fruto da maneira tendenciosa como a pesquisa foi conduzida.
Na investigação psíquica um fato indiscutível é que a mente do experimentador tem o poder de interferir e pode impor um resultado diverso do normal. Um grande número de experiências proporcionará massa crítica necessária para se determinar leis e princípios do fato estudado. Este foi o procedimento adotado por Allan Kardec.
Outro fator importante é a conduta moral do pesquisador. Nas ciências exatas o estado moral do cientista não tem a menor interferência no andamento da experiência. Respeitado o método requerido pelo estudo, um cientista ético e um canalha chegarão às mesmas conclusões. No estudo dos fenômenos psíquicos isso não ocorre. É necessário criar um clima de serenidade, recolhimento e pensamentos nobres, para que funcione a lei de afinidade psíquica, atraindo para colaborar com as experiências entidades honestas e confiáveis.
Cremos que mais uma vez devemos lembrar a posição de Moisés em Números, Cap XI, v.16 -39, com ênfase no v. 26. Ainda hoje a melhor referência bibliográfica sobre esse assunto  é “O Livro dos Médiuns”.
Como pesquisar o fenômeno “Jesus”?
O máximo que conseguimos foi discutir a morte na crucificação. (*)
Por ser espírito superior, o Mestre tinha um estilo de vida que estava além do limite de tempo e espaço. Poucos foram aqueles puderam se aproximar deste nível do existir.
Ele proclamava que sua vida estava além dos limites do tempo e do espaço, mas a nossa ciência trabalha dentro dos intervalos do tempo. Como estudar fenômenos que estão além desses limites?
“Como homem, Jesus tinha a organização dos seres carnais; porém, como Espírito puro, desprendido da matéria, havia de viver mais da vida espiritual, do que da vida corpora”.
A vida futura é o delineamento essencial de todo o ensinamento de Jesus. Sua trajetória revela para a Humanidade a certeza da vida espiritual aquela que aguarda a todos. O Reino que Ele nos trouxe deve ser erguido no Templo da Alma, na consciência do homem de Bem.
“Então Ele veio e disse que já era hora de seguir. Indicou o caminho tortuoso, mostrou as pedras e os espinhos. Mas quando viu que o medo assolava os nossos corações, nos fez olhar o sol atrás dos montes e disse: “confiem e vão”. Então viemos, porque ninguém resiste ao Seu chamado” (**).

(*)  Bergeron, J.W. 2012. The crucifixion of Jesus. J. Forensic Leg Med., Apr. 19:113-116.


(**)  Chamado - Marielza Tiscate (com legenda)


sábado, 26 de novembro de 2016

FIDEL, COMO COMUNICAR A MORTE?


 
Luiz Carlos Formiga


Na madrugada, pelo rádio, tomei conhecimento da morte de Fidel Castro.
Pela manhã, verifiquei que O Plantão do Madureira dava a notícia de forma inusitada dizendo que o “difícil foi comunicar a morte ao próprio Fidel Castro” (1).
No mesmo local a equipe de O Antagonista dizia que os amigos no Brasil não foram tão rápidos, na rede social. (2)
Ainda vamos ler muito sobre o assunto. No entanto sobre o comentário do Madureira creio que talvez seja o primeiro a dar o enfoque que segue. Isso porque recentemente comentei que alguns espíritos nem percebem seu novo estilo de vida e ficam numa confusão só. André Luiz recusou o diagnóstico de suicida inconsciente. Suicídio? Creio haja engano - asseverei, melindrado -, meu regresso do mundo não teve essa causa. Lutei mais de quarenta dias, na Casa de Saúde, tentando vencer a morte. Sofri duas operações graves, devido à oclusão intestinal... (3).
Um caso é descrito por Allan Kardec.
Doutor Philippeau era materialista e formou-se em medicina por ambição e para se sentir superior aos outros. O médico além de boa remuneração possuía grande prestígio. Quando morreu revelou surpresa desagradável de ver o corpo enterrado e o espanto de, fora dele, sentir-se mais vivo do que nunca. Como avisar-lhe que havia morrido? Esta é a frase do “Madureira”.
Philippeau tentava se comunicar, mas ninguém o escutava. Espero que muitos possam ter a mesma sorte deste médico. Na vida nova, depois de se informar através da literatura espírita, pode se indagar: “seria eu, por acaso, um espírito?”
Por outro lado, o mais espetacular seria ver o Dr. Philippeau voltar a fazer cirurgia, mas, agora, utilizando um médium de materialização de espíritos. Isso nos dias de hoje seria possível, como nos descreveu um médico cirurgião que ainda está encarnado (4).
O leitor o que acha? Por onde andará Fidel?

1. Plantão do Madureira
2. O Antagonista
3.  Suicidio: veja se lhe interessa
4. Serei Eu, Por Acaso, Um Espírito?
Would I, by any chance be a Spirit?
¿Sería yo, por acaso, un Espíritu?
5. No CREMERJ: Desafiando a Incredulidade.


quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Na ética cristã ou no “jeitinho brasileiro" - onde nos identificamos? (Jorge Hessen)


Jorge Hessen
Brasília – DF

Um estudo inédito realizado pela consultoria BrandAnalytics, empresa ligada à Millward Brown Optimor, um dos maiores grupos de pesquisa do mundo, revela o que os brasileiros pensam do País. Se o Brasil fosse “uma pessoa”, a principal característica, aquela que se vê logo de cara, seria a desonestidade. 

Segundo Dulce Critelli, professora de filosofia da PUC de São Paulo, os resultados da pesquisa demonstram que grande parte da população não confia nem no País nem no compatriota. No clássico “Raízes do Brasil”, o historiador Sérgio Buarque de Holanda, ao falar do “homem cordial” destaca igualmente o que chama de “personalismo” do cidadão brasileiro. No Brasil, diz Holanda, as pessoas cultuam o mérito pessoal (o “cada um por si”), em vez do trabalho coletivo. [1]

Isso realmente corresponde à realidade? Olhemos para o lado e pensemos bem: a maioria das pessoas de nosso convívio é desonesta? Elas querem levar vantagem sobre nós? Ou como se diz: querem nos “passar a perna”, nos enganar, ludibriar, “dar o cano” ? 

Desde a Proclamação da República, construida sob os anseios dos valores da ordem e do progresso, até os nossos dias, ainda não nos ajustamos rigorosamente à honradez e à honestidade. 

Os brasileiros (ressalvadas as honradas exceções) necessitamos modificar a cultura da desonestidade, a fim de que nossa pátria progrida em ordem. Até porque, enquanto prosseguirmos conectados à tradição do “corrompido jeitinho”, o futuro desta pátria estará comprometida pela desordem e decadência geral. 

No cinismo das vis tendências desonestas trouxemos abaixo alguns cenários e práticas dos trágicos “jeitinhos” , a fim de que avaliemos se nos identificamos ou não como protagonistas. 

Vejamos, são os conterrâneos que furam a fila de carros em frente do colégio para pegar os filhos ou que colocam a viatura na vaga reservada para deficientes e idosos nos estacionamentos dos hospitais, supermercados, shopping. 

Compatrícios que furtam toalhas, roupões, talheres e outros utensilhos de hotéis, clubes, repartições públicas etc.; há os que surrupiam sinais de Internet e tv a cabo do vizinho; que oferecem dinheiro (propina) para subornar o policial, a fim de fugir da multa; que não emitem nota fiscal ao cliente; que não declaram Imposto de Renda; que bolam doenças para fraudar o INSS.

Há os conterrâneos que falsificam carteirinha de estudante (para meia entrada); que assinam a “folha de pontos” do colega; que compram produtos “pirateados”; que não restituem troco recebidos a maior; que batem o ponto pelo colega; que compram diplomas falsos para participação em concursos públicos e, mais comum ainda, há os que recorrem a falsos atestados médicos, para justificar ausências mais prolongadas no trabalho. 

Não haverá futuro promissor para um país com uma sociedade assim estruturada. É urgente uma higienização moral, aproveitando o momento histórico que estamos atravessando no Brasil, para que sejam exaltados os valores da Ética Cristã e consagrada a honestidade. 

É inconcebível um espírita desonesto. Um seguidor fidedigno do Cristo e de Kardec tem que ser fiel ao Evangelho e aos princípios que a Doutrina dos Espíritos impõem e ter noção de que honestidade é prática obrigatória para todo ser humano, principalmente para um “espírita cristão”(*). 

Cabe-nos viver e exemplificar a honestidade no lar, na vida profissional, nos negócios, na política, na administração pública, bem como nas outras situações, consultando sempre a consciência, onde estão inscritos os códigos da lei de Deus. 

O Brasil será um país bem-sucedido se cada compatriota banir da própria cultura o conspurcável “jeitinho brasileiro”.

(*). Hão “espíritas” que não se consideram cristãos

Referência:

[1] Disponível em http://istoe.com.br/360834_O+DESENCANTO+COM+O+BRASIL/ Acesso 23/11/2016

terça-feira, 22 de novembro de 2016

O Verdadeiro Justo


Domingo Cocco

Em “O Livro dos Espíritos”, pergunta n° 879, Allan Kardec aborda aos Espíritos: Qual seria o caráter do homem que praticasse a justiça em toda a sua pureza? 

Eles lhe responderam: “O do verdadeiro justo, a exemplo de Jesus, porquanto praticaria também o amor do próximo e a caridade, sem os quais não há verdadeira justiça”. 

A reverência a Jesus como “o verdadeiro justo”, pelo fato de ter passado o que passou, e assim trazer-nos o “Maior” exemplo de amor que a terra conhece, é muito mais profundo do que possamos imaginar. Só quem conquistou uma superior qualidade moral-espiritual, suportaria. 

Quem bem retrata os testes, os sofrimentos físicos, as humilhações, por que passou Jesus é Emmanuel no livro “Antologia Mediúnica do Natal”,  3ª edição, cap. 7: “O maior de todos os conquistadores, na face da Terra, conhecia, de antemão, as dificuldades do campo em que lhe cabia operar.

Estava certo de que entre as criaturas humanas não encontraria lugar para nascer, à vista do egoísmo que lhes trancava os corações; no entanto, buscou-as, espontâneo, asilando-se no casebre dos animais. 

Sabia que os doutores da Lei ouvi-lo-iam indiferentes, com respeito aos ensinamentos da vida eterna de que se fazia portador; contudo, entregou-lhes, confiante, a Divina Palavra.

Não desconhecia que contava simplesmente com homens frágeis e iletrados para a divulgação dos princípios redentores que lhe vibravam na plataforma sublime, e abraçou-os, tais quais eram.

Reconhecia que as tribunas da glória cultural de seu tempo se lhe mantinham cerradas, mas transmitiu as boas novas do Reino da Luz à multidão dos necessitados, inscrevendo-as na alma do povo.

Não ignorava que o mal lhe agrediria as mãos generosas pelo bem que espalhava; entretanto, não deixou de suportar a ingratidão e a crueldade, com brandura e entendimento.

Permanecia convicto de que as noções de verdade e amor que veiculava  levantariam  contra   ele  as  matilhas   da   perseguição  e  do ódio; todavia, não desertou do apostolado, aceitando, sem queixa, o suplício da cruz com que lhe sufocavam a voz”. (...)

          Torna-se interessante salientar que tamanha superioridade moral- espiritual, não Lhe foi concedida por uma “concessão especial” de Deus, porém, alcançada por Seus esforços, por Seus sacrifícios lagrimosos, pelas encarnações afora, mesmo porque, Deus em sua justiça, não Lhe daria algo mais, que as demais criaturas!. Daí ser Jesus o “Modelo Justo”, a maior autoridade que conhecemos. 

Contudo, esse grandioso Espírito não veio para nos “salvar”, no sentido de nos arrastar como a força da correnteza de um rio.  Não, Ele veio para nos mostrar com o sacrifício da própria vida, como é possível todos os filhos de Deus, alcançarem pelo esforço, o “Sede perfeitos”, por Ele anunciado.  Um professor não realiza a prova pelo aluno, mostra-lhe como alcançar a sua aprovação. Ele deixou isto claro quando nos recomendou: Mateus XXII, 39 - “O segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo”, anunciando, portanto, que seria necessário desenvolver em nós  a capacidade  de fazer o bem, e Tiago II, 17 - “Assim também a fé, se não tiver obras, por si só está morta”, demonstrando-nos que não basta crer, porém,  “colaborar com a parte que nos toca, na obra da criação” . 
É de Santo Agostinho;  “Deus  te  criou  sem  ti,  mas não te salvará sem ti” .

Jesus, o vanguardeiro “Maior”, veio propagar a mensagem que nos induz a servir sempre, ter a consciência pura segundo o dever cumprido, rumo à felicidade meritória. 

Cachoeiro de Itapemirim, E.S.
Rua Raul Sampaio Cocco n° 30 Antiga Neca Bongosto – Bairro Sumaré
Telefone: (028) - 3522-4053 – CEP 29304-506
Cachoeiro de Itapemirim – Estado do Espírito Santo